Bem vindos à bodega

Bem vindos à bodega

sábado, 22 de março de 2014

O primeiro sábado do outono

Um sábado ensolarado, e eu trancado em casa tomando um vinho tinto, abro a janela e deixo o cheiro de cigarros sair, olho para o maço pela metade que me diz "ainda vai chegar sua hora".
penso num som para ouvir, talvez um Wander Wildner, ou algo do tipo, minha cabeça gira em torno dos amores e desejos q tenho e tive durante um tempo.
aquela velha insegurança ameaça entrar pela porta, junto com minhas obrigações q insisto em deixar de foda, mas que merda, abri a janela, entraram as duas pra me fazer companhia, papeladas, advogados, gente querendo o que é meu, eu querendo o que ainda não tenho, se beber mais um pouco durmo, e elas se distraem, vão embora, por um tempo, mas vão.
Depois voltam, e me enchem o saco, saudades de quando tudo isso só afetava à mim, e eu não precisava me apressar, agora mudou, hora de agir, mas agora não, melhor deixar pra amanhã, ou semana que vem, é sempre assim, sem hashtags, ou postagens em redes sociais, talvez um link ou um clipe, uma música a muito esquecida, uma ferida reaberta, qualquer coisa do tipo.
Melhor q uma ilusão, ou não. Uma ilusão por pior que for é melhor q a realidade, na maioria dos casos. Claro, se a ilusão se tornar realidade aí sim, isso é memorável! Pagar aquele uísque prometido aos amigos, e depois aproveitar o que a vida lhe deu de bom grado, não me fazendo de coitado, algo q não sou, mas eu mereço, e só deus (qualquer deus ou entidade superior incompetente) sabe que eu mereço, estou calejado, cansado, está na hora de me acalmar, descansar um pouco, pulmões e fígado, dar um tempo, talvez limpar meu corpo, dos vícios que me fazem mal, das pessoas que me fazem mal, das memórias.
E quem sabe, no próximo primeiro sábado de outono, eu não esteja trancado num quarto bebendo vinho e fumando meus pensamentos...

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